Numa certa vila distante de todo um mundo, vivia uma comunidade pacata onde todas as pessoas eram felizes e adoravam compartilhar suas coisas uns com os outros, sentar debaixo das árvores no cair da tarde e conversar. Aquela vila estava escondida do resto do mundo pelas diversas árvores que os cercavam, árvores tão grandes que eram difíceis de ver o topo, tamanha a altura, algumas chegavam a ter vinte metros e seus troncos de espessura também diferenciada, de maneira que muitas famílias dali, construíam suas casas nas árvores.
O nome daquela vila era Criméria, quem morava ali dificilmente saía para o mundo exterior, pois encontravam tudo o que precisavam para viver na Criméria. Os homens e mulheres casavam-se com pessoas da própria comunidade, ou de comunidades vizinhas, que existiam além da cadeia de montanhas ao norte da Criméria. Não era comum os Crimerianos saírem de seu território, mas a cada ano, toda a comunidade se reunia com o propósito de eleger os comerciantes da vez, eram dez famílias que os moradores escolhiam para viajarem pelos territórios vizinhos vendendo suas especiarias e trazendo de fora novidades que encontrassem para serem adquiridas por eles. Os crimerianos tinham como atividade principal a criação de bovinos, e seus animais eram valorizados tanto pelo porte físico diferenciado quanto pelo sabor da carne após serem abatidos, o que lhes permitiu a sobrevivência nesta atividade, pois não possuiam espaço para criar grandes quantidades de bois, mas a qualidade dos mesmos faziam que o preço se elevasse e em toda terra não havia animais tão formidáveis quanto aqueles da Criméria.
Algo também interessante sobre a Criméria era o modo de vida econômica daquele povo, não havia pobre nem rico ali, cada um tinha a sua casa e seus bens, mas os lucros da criação de gado, era repartido entre todos os chefes de famílias, e este repartiam novamente a quantia entre seus filhos casados. Mais uma vez chegou o final do ano, estava acabando o ano 1989 e mais uma vez todas as famílias vieram ao centro da Criméria, cada um trouxe uma comida típica de sua especialidade, os marcelinos trouxeram seu famoso frango ao molho verde, prato que traziam todos os anos à Festa da Escolha, os Ritistas chegaram com saladas de todos os tipos, pois eram vegetarianos e contribuíam todo ano com folhas comestíveis na festa e assim foi-se chegando família por família trazendo suas especiarias, ao momento mais esperado entre eles durante o ano, principalmente pelos jovens, que eram proibidos de saírem da Criméria assim como todos os moradores, e a única chance que possuiam de conhecer o mundo exterior era sua família sendo escolhida como uma das dez comerciantes do ano, por isso todos ficavam muitos entusiasmados com a Festa da Escolha.
Todos comeram e se alegraram ao som de músicas com adufes e instrumentos de cordas naquela noite, o horário já estava avançado, eram 22:00h e estava na hora da escolha das dez famílias, um detalhe interesante é que havia um costume incomum na Criméria, na eleição das famílias somente as mulheres votavam, os homens faziam a contagem dos votos e contribuíam para que tudo fosse bem. A eleição começou e mulher por mulher se chegava até a mesa e escrevia o nome de uma família, sendo representada pelo nome de seu patriarca, até que após meia hora todas já haviam depositado o seu voto e o processo de contagem iniciou-se, finalizando antes da meia noite e tendo como escolhidos naquele ano Bill Santos, Terry Liston, José Martins, Diogo Ferreira, Nando Santiago, Célio Lucius, Daniel Rodrigues, Estevão Fontes, Paulo Gonçalves, Miguel Silva.
A Festa da Escolha acabou, todos estavam felizes, dormiram e pela manhã ainda cedo, seguindo a tradição, as dez famílias sucessoras receberam das mãos das dez famílias sucedidas as chaves do estábulo e das galgões diversos onde eram guardados os carros e carrocerias que somente os comerciantes usavam, bem como era explicado todo o processo de vendas e compras para os escolhidos, a fim de que não perdessem tempo aprendendo vagarosamente, antes, se tornassem o quanto antes ágeis na arte da qual dependia-lhes o sustento.
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