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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Crer é Também Pensar

STOTT, JOHN ROBERT WALMSLEY Crer é também pensar Trad. Milton Azevedo de Andrade.  Sexta impressão. ABU Editora. São Paulo, SP. 1994, 42 P.

Resenhado Por Valney Paz Ribeiro Júnior

John Stott é escritor, pregador e evangelista. Exerceu o cargo de Pastor em Londres na Igreja Anglicana All Souls e de líder da Aliança Evangélica Britânica. Stott foi considerado pela revista americana “Time” como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Nasceu em Londres, Inglaterra, em 1921. Formou-se em Teologia e Francês pela Trinity College Cambrigde e é Doutor honorário por diversas universidades nos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra.
Stott na obra Crer é também pensar combate o cristianismo de mente vazia, apresentando a importância do uso da mente na vida cristã, através de vários aspectos da vida e responsabilidade Cristã, nos quais a mente tem uma função indispensável. Visando a prevenção também contra o superintelectualismo, Stott escreve na intenção de gerar equilíbrio em seus leitores, revelando tanto o perigo do intelectualismo exacerbado, quanto do anti-intectualismo que leva ao fanatismo.
Segundo Stott o cristão deve aprender a usar a mente, se realmente deseja ver o evangelho de Jesus Cristo ser anunciado em todo o mundo, pois segundo ele há uma batalha de idéias ocorrendo em todo o tempo, a verdade de Deus confrontado e vencendo as mentiras dos homens. Deve-se com certeza concordar com estes argumentos apresentados por John Stott pelo fato do mundo atual ser habitado por um grande número de seitas que têm levado várias pessoas a caminharem a passos largos para o inferno, algumas delas são fundamentadas no espiritismo, islamismo e hinduísmo dentre outras.
O livro Crer é também pensar é uma fonte muito rica de citações interessantes de diversos autores das mais diversas áreas acadêmicas do mundo. Stott faz muito bem uso delas para fazer o leitor compreender a importância da mente na fé cristã. W. S. Anthony, do instituto de Psicologia Experimental de Oxford e seu trabalho sobre a dúvida dos ratos de 1957 perante a Associação Britânica é citado para rechaçar a diferença básica que existe entre os animais e o homem que Deus criou, a capacidade de pensar e analisar os fatos com entendimento. Partindo deste exemplo Stott escreve sobre o uso da mente na compreensão da doutrina da criação, pois afirma que quando o homem deixa de agir racionalmente contradiz a criação e sua diferenciação como ser humano e por isso deve sentir vergonha de si mesmo. Este ponto de vista com certeza tem fundamento, pois, olhando a atual situação do Brasil percebe-se que não é apenas o cristão que usa pouco a mente que recebeu de Deus. Segundo o IBGE nas seis maiores regiões metropolitanas do Brasil, o número de desempregados chegam a 1,5 milhão de pessoas, porém, há um paradoxo interessante, uma empresa de consultoria divulgou recentemente apenas em um dia mais de 70 mil vagas não preenchidas na área de informática por falta de qualificação de mão-de-obra. Isto ocorre pela falta do uso da mente na meio secular e no eclesiástico acontece à mesma coisa.
Foi muito feliz também ao expor a importância da mente para entender a revelação de Deus ao homem no capítulo 4. Utilizou-se de textos bíblicos e de uma famosa frase do teólogo alemão Johannes Kepler, sendo este inclusive o primeiro astrofísico do mundo. Kepler fez a seguinte declaração: “Os homens podem pensar segundo os pensamentos de Deus.” O argumento mais forte deste capítulo é o fato do cristianismo ser uma religião fundamentada em doutrinas, enquanto as diversas seitas não-cristãs são baseadas em rituais. A fé cristã destaca-se dentre as demais e quanto mais o tempo passa, mais a ciência como um todo tem que se render às descobertas arqueológicas que confirmam a veracidade das sagradas escrituras, como a descoberta dos manuscritos das cavernas de Qumram em 1947, que continham inscrições inteiras de várias partes do livro do profeta Isaías.
É um livro de fácil compreensão, porém, o leitor que possuir um melhor conhecimento da Bíblia Sagrada compreenderá melhor sua mensagem. Stott vai tratar de temas importantes como o uso da mente na compreensão da redenção do homem (capítulo 5) e no juízo de Deus.
A partir da página 18 John Stott inicia uma defesa em prol do uso da mente no cristianismo, no culto, na fé, na busca da santidade e na direção cristã. Na página 20 ele declara o seguinte:
“Todo culto cristão, seja ele público ou pessoal, deve ser uma resposta inteligente à auto-revelação de Deus, por suas palavras, e por suas obras registradas nas Escrituras.”
Escreve então sobre um dos assuntos mais polêmicos do Novo Testamento, o falar em outras línguas.  O apóstolo Paulo afirmou que quando alguém está falando em línguas a sua mente fica infrutífera, mas, o seu espírito ora de fato. Daí o apóstolo deixa um conselho muito sábio: “Orarei com o espírito, mas, também orarei com a mente.” Os dons de variedades de línguas citados por Paulo na primeira carta aos Conríntios capítulo 12 no rol dos dons do Espírito Santo é uma realidade espiritual ainda em dia atuais. Certo pastor em viagem aos Estados Unidos da América ao visitar uma igreja ouviu um irmão orando em português pelo Brasil, após o culto foi tentar aproximar-se do jovem pensando em se tratar de um brasileiro no exterior, mas, para sua surpresa o irmão era americano, não falava português e estava apenas orando em línguas estranhas, porém, compreendidas por Deus. Stott conclui que a fé e o pensamento caminham juntos, e é impossível crer sem pensar.
Há de se discordar não totalmente, mas, em parte com as declarações de Stott na página 28, pois o mesmo se refere às pessoas que tem o costume de dizer que “Deus mandou fazer isso ou aquilo” com as seguintes palavras:
“Há crentes que afirmam com certa facilidade, que o Senhor me disse para fazer isto ou aquilo, como se tivessem uma linha direta com o céu e estivessem em permanente e direta comunicação telefônica com Deus. Acho difícil acreditar em tais pessoas.”
Esta afirmação tem um fundo de verdade no que tange ao uso sem fundamento por parte de muitos cristãos do termo “Deus me disse”, porém, é possível sim ouvir a voz de Deus através do Espírito Santo que o cristão recebeu do Pai, que foi enviado com a missão de convencer o homem do pecado, do juízo e da justiça (João 16:8) e principalmente quando Jesus afirma que o Espírito Santo não falará a nós seres humanos de si mesmo, mas que dirá tudo o que tiver ouvido do Pai e anunciará aos cristãos as coisas que ainda vão acontecer (João 16:13). Ainda em Atos dos apóstolos capítulo 13 versículo dois a bíblia diz:
E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Foi o Espírito Santo quem disse que queira Barnabé e Saulo, portanto, é possível sim ouvir a voz de Deus de uma maneira mística porém fundamentando-se nas escrituras para que se tenha certeza de que a voz que se ouve vem da parte de Deus, pois o Senhor nunca se contradiz, e não falará ao ouvido do cristão algo que vá de encontro ao cânon que ele mesmo instituiu.
John Stott escreve ainda acerca do uso da mente no evangelismo, posicionando-se a favor da preparação de um bom conteúdo por parte da pessoa que pretende levar a mensagem do evangelho. Ele cita o ponto de vista de muitos crentes que dizem que o evangelismo deve ser no poder do Espírito Santo, e concorda com estes, porém, acrescenta que o conteúdo bem preparado para alimentar mente do ouvinte corrobora com o poder que de Deus é derramado e não lhe é uma barreira.
Na conclusão da obra Stott é muito feliz ao declarar que “Deus não pretende que o conhecimento seja um fim em si mesmo, mas sim que seja um meio para se alcançar algum fim.” Ainda ensina que o conhecimento deve levar o homem à adoração, à santidade e ao amor, fundamentos indispensáveis à fé cristã.
O livro Crer é também pensar é uma obra importantíssima para o amadurecimento da igreja de Jesus Cristo. O próprio Senhor afirmou que o conhecimento conduz o homem à liberdade, e este livro instiga o leitor a buscar mais informações a cada dia para com maestria defender o evangelho não só com palavras já gravadas inclusive pelos ouvintes, mas com conteúdo diferenciado e embasado, sem de nenhuma maneira desprezar o poder do Espírito Santo que o acompanha. John Stott escreve de maneira simples e ler sua obra muito enriquecerá o conhecimento de todo aquele que tem um desejo em seu coração de servir a Deus de maneira melhor a cada dia.


Bibliografia:
·        Wikipédia, Enciclopédia Virtual acessada 05 de setembro de 2011;
·        Crer é também pensar, Editora ABU, São Paulo, SP;
·        Site www.uol.com.br/economia acessado 07 de setembro de 2011;
·        Site www.ceviu.com.br acessado 07 de setembro de 2011.

1 comentários:

  1. Olá passei para conhecer seu blog ele é muito maneiro super organizado com ótimo conteúdo gostaria de parabenizar pelo excelente trabalho e que Deus ilumine seus caminhos e de seus famíliares
    Desejo muito sucesso

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